Férias 2010
Após planejarmos durante três anos, finalmente fizemos nossa tão sonhada viagem para o Uruguai e Argentina. Ficamos um bom período sem tirar férias, desde 2007, quando fomos para Foz do Iguaçú. Após dois anos de muito trabalho, conseguimos tirar duas semanas de férias e conhecer os países vizinhos. Fomos entre dois casais, o que foi muito bom, pois temos histórias compartilhadas para contar com nossos grandes amigos Fábio e Júlia. O planejamento inicial era descer pelo Chuí, conhecendo a costa uruguaia durante três a quatro dias, passar três dias em Montevideo e quatro e Buenos Aires, soma-se a isto a grande viagem de ida e volta. Nas últimas férias, imprimi uma série de mapas como o percurso a seguir. Nesta viagem, comprei um GPS e não me preocupei com o caminho. Recomendo a todos que forem viajar comprar um GPS, pois ele ajuda em MUITO a economizar tempo e garantir maior segurança na viagem. Recomendo fortemente o Garmin 255W que já veio com os mapas do Brasil, Uruguai e Argentina. É um excelente GPS.
Primeiro dia (7/2) Lajeado => Chuí/La Coronilla
Saímos na madrugada do sábado para o domingo as 3:30h da madrugada. Recomendo sair antes, pois não conseguimos dormir até este horário. A viagem pela madrugada é tranquila. Recomendo parar em postos para alongar o corpo e tomar um café para evitar o sono. O GPS foi fundamental no percurso, indicando o caminho com boa precisão. A única coisa errada foi que ele mandou passar por dentro de Rio Grande (caminho mais curto), e não por fora da cidade. No primeiro dia, seguimos para Rio Grande, chegamos lá em torno das 10h da manhâ e então rumamos para o Chuí, onde chegamos aí pelas 13h. No Chuí ficamos trancados umas duas horas. Não queriam nos deixar entrar por que as identidades eram de quando eu tinha 14 anos e da Fernanda de quando dinha 16 anos. Os documentos deveriam ser atuais com foto reconhecível. O atendente foi muito deselegante com a gente e nos mandou embora de seu país (Uruguai) berrando. Me irritei e quase fiquei muito nervoso. Meu amigo com calma foi tentando amenizar a situação apresentando a carteira de motorista, dizendo que no Brasil isto basta e tal, mas ele foi irredutível, dizendo que lá, somente documento de identidade emitido por órgão de segurança com foto reconhecível. Quando me acalmei, tentei ligar para o consulado e embaixada, tentei de tudo. Ao ver isto, acho que ele ficou com medo e começou a mudar de comportamento, até que no final ele autorizou nossa entrada, mas foi uma novela.
O Chuí melhorou muito desde a última vez que estive lá. Os free shops são sensacionais. Comprei uma mochila para notebook da Case Logic por U$ 50,00 que aqui no Brasil custa R$ 232,00. Fiquei louco de faceiro, hehehe. Já as mulheres se concentraram nos perfumes, como de costume. Após sair de Chuí, rumamos para a Fortaleza de Santa Tereza, onde iríamos alugar uma cabana para passar a noite. Deu errado, não haviam mais cabanas disponíveis. Tivemos de voltar 5 km e dormir em Las Coronilhas, uma cidade minúsculas onde moram pescadores. Lá ficamos no pior hotel de nossas vidas. O hotel era antigo, cor-de-rosa, sombrio, o carro ficava na rua, perto havia um banhado cheio de rãs que ficavam cantando, o quarto era sujo, as camas tinham buracos, o banheiro era minúsculo, sujo, com encanamento enferrujado e remendado com esparadrapo e papel, a luz acabou de noite, ficamos no escuro, e lá tinha também uma velha muito sinistra, como nos episódios do Chavez quando eles se perdem na casa da bruxa do 71, um horror. A diária custou barato, R$ 50,00 por casal. Jantamos na cidade, comemos um bife com arroz R$ 50,00 por casal, um absurdo.
Estrada para o sul do R.S.
Segundo dia (8/2) La Coronilla => Fortaleza Santa Tereza
Bom, mas pela manhã saimos de lá e conseguimos uma cabana no parque. O parque é muito bonito, a natureza e tal, mas as cabanas são de madeira, são quentes, tem aranhas, fedem, foi a pior noite da viagem. O parque é bonito e tem um supermercado. Entretanto os preços são salgados. Um litro de iogurte custava R$ 4,30, erva-mate R$ 4,60. água 2L R$ 4,00. Os preços estavam quase o dobro do que é pago aqui no Brasil pelos mesmos produtos. O aluguel da cabana custou cerca de R$ 100,00 para os quatro.
Fortaleza Santa Tereza
Terceiro dia (9/2) Fortaleza Santa Tereza => Punta del Diablo => Cabo Polonio => La Paloma => Maldonado
Saindo do parque de Santa Tereza, fomos rumo à La Paloma. Antes conhecemos Punta del Diablo. Punta del Diablo é uma praia de muita gente jovem. Não recomendo para quem quer descansar, apenas para quem quer festa. A paisagem rochosa é linda, mas a praia em geral é suja e fede a peixe, por que é praia de pescadores. Saindo de Punta del Diablo, no caminho nos deparamos com um lugar chamado Cabo Polônio e decidimos conhecer. Foi uma grande surpresa. Cabo Polônio é uma praia isolada. Para conhece-la, deve-se comprar um ticket de R$ 15,00 e andar em cima de um caminhão sobre as dunas até a praia. Chegando lá é muito linda, mas o melhor é a viagem de caminhão mesmo. Tem uns restaurantes bem legais lá naquela praia. Recomendo fortemente conhecer Cabo Polônio e almoçar por lá. Saindo de lá, o objetivo era ir em direção à Punta del Este, mas como sabíamos que os preços dos hoteis lá eram proibitivos, ficamos hospedados em Maldonado, que é uma cidade com excelente infra-estrutura, hoteis baratos e fica a menos de 10 km de Punta. Lá ficamos num hotel bem bacana, chamado Hotel La Colonia no primeiro dia. O hotel fica bem no centro da cidade, perto de tudo. Lá conhecemos Punta, o casino Conrad e muitas outras coisas. Pagamos cerca de R$ 100,00 o casal a diária e comemos um filé maravilhoso na esquina em frente ao hotel por R$ 45,00 o casal no restaurante La Pasiva.
Passeio no Cabo Polônio
Quarto dia (10/2) Maldonado/Punta del Este
Iríamos embora de Punta, mas decidimos ficar mais um dia. Entretanto o hotel não tinha mais quartos. Tivemos de ficar em outro hotel na mesma quadra, chamado hotel Catedral, a diária era o mesmo valor, mas tivemos de ficar num quarto para quatro pessoas (não dois duplos) e dormimos em beliche, mais uma noite mal dormida. Apesar do hotel, Punta estava muito legal, passamos o dia na praia descansando.
Punta del Este
Quinto dia (11/2) Maldonado => Punta Ballena (Casapueblo) => Montevideo
Rumo à Montevideo. Antes paramos na Casaueblo em Punta Balena. Casapueblo é uma obra de arte na forma de casa. Construída pelo artista uruguaio Carlos Páez Vilaró, a quem tive o prazer de conhecer. Casapueblo é a antiga casa de verão dele e é agora uma cidadela-escultura que inclui um museu, uma galeria de arte e um hotel chamado Hotel Casapueblo que fica dentro da estrutura. Vale a pena conhecer. Esta foi minha segunda vez lá. Recomendo fortemente. As obras de arte são lindíssimas, principalmente aquelas no estilo de Picasso, artista que conheceu pessoalmente Picasso e Dalí. Saindo de Punta Balena seguimos à Montevideo. Lembro da ocorrência de pedágios no caminho, geralmente no valor de 45 pesos uruguaios (R$ 4,50). Chegando em Montevideo, saimos para procurar hoteis. Encontramos dois bons: Hotel Califórnia e Apart Bremen, ambos na casa de R$ 100,00 a diária para o casal. Preferimos o apart pois faríamos algumas refeições próprias. No primeiro dia passeamos pela avenida principal, a 18 de julho.
Casapueblo
Sexto dia (12/2) Montevideo
Comprei alguns vinhos nas lojas Cachi e Los Domingues, especializadas em vinho. Recomendo conhecer estas lojas e comprar uns bons tannat. No supermercado também encontra-se ótimos preços. Neste dia fizemos um city tour. O city tour custa U$ 25,00 por pessoa, funciona com um micro-ônibus e uma guia falando em castelhano. O city tour poupa muito tempo e permite conhecer um resumo da cidade e a história em três horas. Pela noite, levei a Fernanda para jantar no El Fogón e comer a paella que não saia da minha cabeça, pois tinha comido esta refeição lá em 2005. A Paella do El Fogón é imperdível e é simplesmente uma das melhores refeições que já fiz. Mesmo quem não gosta de frutos do mar irá gostar. Custa R$ 70,00 o casal, incluindo um vinho 3/8.
Montevideo
Sétimo dia (13/2) Montevideo
Em montevideo, fomos passear a pé pela cidade velha, formada por seus lindos prédios históricos. Após, fomos almoçar no mercado do porto, onde comemos carne. A Parillada, a qual eu já comi, não é indicada para brasileiros, pois vem muita carne que não é apreciada por nós, como miúdos. A parilla custava cerca de R$ 70,00 para o casal. Preferimos vazio, picanha e entrecot, que deve ter custado a metade disto. Recomendo fortemente conhecer o mercado do porto, é muito bonito lá e tem muito artesanato. Pela noite fomos ao famoso shopping Punta Carretas, para conhecer, passear e fazer algumas compras no supermercado. Outro ponto interesante de conhecer.
Mercado público
Oitavo dia (14/2) Montevideo => Buenos Aires (buquebus)
Dia para ir à Buenos Aires. Resolvemos deixar o carro em uma garagem em Montevideo e atravessar de navio da Buquebus (www.buquebus.com). A passagem custou muito caro (R$ 500,00 o casal ida e volta), mas valeu a pena por que nunca tínhamos andado de navio. A travessia dura 50 minutos e o navio anda à 50km/h. É bem interessante andar pelo menos uma vez de buquebus. Chegando em Buenos Aires, saimos para procurar hotel. Encontramos três, o Suipacha, o El Cabildo e um outro que não lembro o nome. Ficamos no El Cabildo por um custo em torno de R$ 100,00 a diária para o casal. O hotel, assim como o de Montevideo, tinha internet, o que era imprescindível para nós. O café da manhã era básico, mas muito bom. Nele vinham media lunas, café com leite e suco de laranja. Neste dia, acabamos almoçando no Burger King. A noite fomos ao show de tango El Viejo Almacén (http://www.viejo-almacen.com.ar), um espetáculo inesquecível. Conheci pessoalmente o tenor e tirei uma foto com ele. Eles vem nos buscar no hotel de micro-ônibus. O custo é uma paulada, R$ 160,00 por pessoa incluíndo uma janta super chique. Este valor é alto, mas não se pode ir até Buenos Aires sem assistir a um show de tango.
El viejo Almacén
Nono dia (15/2) Buenos Aires
Fizemos o city tour. O city tour de Buenos Aires tem um conceito novo: você compra um ticket por R$ 25,00 por pessoa e pega um ônibus aberto que tem várias paradas. Você pode descer nas paradas e conhecer o lugar e pegar outro ônibus do mesmo city tour que passa em cada parada de meia em meia hora. O mesmo ticket é válido por 24 horas. Descemos no caminito e almoçamos por lá. O caminito é show para almoçar, o ambiente é muito agradável. Os restaurantes têm artistas se apresentando a todo momento. O bairro tem um colorido muito especial e um artesanato bastante variado. Os preços em Buenos Aires são bem mais em conta que Montevideo. As refeições que custavam R$ 50,00 o casal em Montevideo, em Buenos Aires caiam para cerca de R$ 30,00 o casal em média. E ainda tem-se opções mais baratas como sanduíches.
Caminito
Décimo dia (16/2) Buenos Aires
Fomos a pé conhecer alguns pontos turísticos que passamos rapidamente pelo city tour, como a recoleta, a casa rosada e o museu do automóvel. Também andamos de metrô. Conhecemos a Bombonera e fiquei sabendo por um taxista local em primeira mão que o Inter havia contratado o Abbondanzieri. Lá na Bombonera vi uma cena curiosa: Um funcionário do clube carregando a taça da libertadores da américa. A noite jantamos em um lugar maravilhoso chamado Puerto Madero, um porto transformado em um conjunto de restaurantes.
Casa rosada
Décimo primeiro dia (17/2) Buenos Aires => Montevideo
Fomos as compras. As mulheres não resistiram. Vestidos que no Brasil saem por R$ 120,00 lá estavam por R$ 15,00. Blusas que no brasil custam R$ 80,00 lá estavam por R$ 12,00. Muito barato mesmo. Não estava precisando de um termo mas comprei um termo+gravata+cinto de couro por R$ 137,00, o que no Brasil pagaria em torno de R$ 600,00. Os blazers de couro estavam entre R$ 300,00 e R$ 400,00, pelo menos a metade do preço do Brasil. Não vale a pena comprar eletrônicos no Uruguai, para isto, deve-se ir ao Paraguai. A noite pegamos o Buque bus de volta a Montevideo. Chegamos a 1h da manhâ do dia 18 no hotel.
Décimo segundo dia (18/2) Montevideo => Rivera => Lajeado
Acordamos pelas 8h, tomamos café e começamos a viagem de retorno aí pelas 9h da manhã. Confiei cegamente no GPS, meu erro. O GPS acertou a direção (norte) e inclusive o caminho mais curto, mas não o melhor. O caminho que ele indicou passava por 12km de estrada de chão que alaga com enchente num lugar longícuo no interior do uruguai onde passa uma viva alma de vez em quando somente. Deu medo, demorou mas concluímos o percurso e voltamos ao asfalto. Se não me engano o GPs mandou ir pela Ruta 6 ou 7 e depois pegar uma estrada de chão batido para ligar com a ruta 5, quando deveríamos ter pego desde o início a ruta 5, que pasa em Florida/Durazno/Tacuarembó. A viagem no interior do Uruguai é muito tranquila. Tem policia caminera na costa, mas no interior não. O pior é que não passa ninguém naquelas estradas retas, dá um medão de ficar empenhado. Enchemos o tanque em Montevideo e fomos com o ar condicionado ligado a viagem toda por que estava muito calor. São mais de 500km. Faltando 20km para chegar em Rivera o indicador de gasolina já não mostrava mais nada. Havia acabado a gasolina, mas o carro ainda andava. Desligamos o ar condicionado e fomos rezando até chegar em Rivera. Foi um sufoco, o carro chegou só com o cheiro da gasolina. Devido ao desvio, chegamos em Rivera as 17h. Antes, havíamos parado apenas para fazer um lanche rápido. Em rivera, deve-se lembrar de passar pela migração e para registrar a saída do Uruguai para evitar futuros problemas. Lá em Rivera, comprei uns vinhos Concha y toro e gato negro por U$ 3,00 a garrafa, bem mais em conta que os R$ 24,00 pagos por uma mesma garrafa destas no Brasil. Apesar de tudo, tenho de reconhecer que o Chuí é bem melhor do que Rivera para comprar, pois tem mais lojas, mais variedades e preço melhor. Jantamos em Rivera e aí pelas 21h saímos de Rivera/Santana do Livramento rumo à Lajeado. Mais cerca de 500km pela frente. A noite foi complicado de dirigir pois as estradas não tem pintura, nem sinalização. Além disto, tive de controlar o sono pois já tinha atravessado o Uruguai inteiro. Aí pelas 4h chegamos em Lajeado. Foram sete horas de viagem. Bom, eu cheguei quadrado após dirigir mais de 1000 km num dia, totalizando cerca de 14 horas de direção na estrada. Bati meu recorde que anteriormente era ter dirigido 800 km em cerca de 12 horas de Foz do Iguaçu para Lajeado, mas reconheço que estou ficando velho para essas coisas. Longas viagens na direção cansam demais.
Imperdíveis
Fazer compras no Chuí
Andar com o caminhão em Cabo Polônio
Conhecer a Fortaleza de Santa Tereza
Conhecer a Casapueblo em Punta Ballena
Comer chivitos no San Rafael em Montevideo
Comer paella no El Fogón em Montevideo
Comer churrasco no Mercado do Porto em Montevideo
Conhecer a cidade velha em Montevideo
Fazer um city tour em Montevideo
Andar de Buquebus Montevideo => Buenos Aires
Assitir a um tango no El viejo Almacen em Buenos Aires
Comer uma pizza no caminito em Buenos Aires
Comer pancho em Buenos Aires
Fazer um city tour em Buenos Aires
Jantar no Puerto Madero em Buenos Aires
Conhecer Colônia do Sacramento (nesta viagem não foi possível devido ao tempo)




